Fadiga na perimenopausa: estudo aponta sangramento intenso como uma das causas

Veja os sintomas e como aliviar o cansaço.

Tá sem tempo? Para ler em 1 minuto

Você vive cansada, mesmo quando consegue descansar? Acorda já sem energia, sentindo que o corpo está pesado e a mente mais lenta? Se você está na transição da menopausa, saiba que isso tem nome: fadiga. O bom é que esta sensação tem motivo e, mais importante, tem explicação científica!

Sua fadiga tem nome, tem motivo e tem explicação

Um estudo recente publicado em 2025 trouxe dados inéditos que associam diretamente episódios de sangramento uterino anormal (intenso e prolongado) à presença de fadiga extrema durante a transição menopausal (ou perimenopausa). 

Os pesquisadores avaliaram mais de 2 mil mulheres e mostraram que aquelas que vivenciaram três ou mais episódios de sangramento intenso nos seis meses anteriores tinham maior probabilidade de se sentirem esgotadas, cansadas e com baixa energia.

Essa descoberta muda a forma como olhamos para o cansaço recorrente nesse período da vida. Ele não é “coisa da sua cabeça”, é um sinal do corpo pedindo atenção. Neste conteúdo, vamos te mostrar como reconhecer e cuidar disso.

Por que o sangramento excessivo rouba nossa energia?

De forma interessante, o estudo avaliou sintomas de fadiga e sua relação com dois tipos de sangramento anormal: o sangramento menstrual intenso e o sangramento prolongado. A análise apontou que:

  • Mulheres com sangramento intenso recorrente estavam mais propensas a relatar cansaço extremo, esgotamento e sensação de falta de energia.
  • Já as que tinham sangramento prolongado relataram menor probabilidade de se sentirem “cheias de energia”.

     

Importante: esses achados foram ajustados para fatores como idade, índice de massa corporal, presença de sintomas depressivos e ansiosos, distúrbios do sono, estresse percebido, tabagismo e até experiências de discriminação. Isso torna o estudo robusto e ainda mais confiável.

Do ponto de vista fisiológico, sangramentos frequentes e intensos podem causar anemia, deficiência de ferro, além de aumentar a inflamação sistêmica e causar desregulação hormonal. Agora imagina ao somarmos isso o impacto emocional: viver com medo de sangrar em público, precisar adaptar a rotina e lidar com dores e insegurança afeta profundamente a qualidade de vida.

Fadiga, nesse contexto, é tanto um sintoma físico quanto emocional.

Fadiga não é frescura: quando o corpo pede socorro

Fadiga é diferente de um simples cansaço. Ela é persistente, profunda e não melhora com descanso. Atrapalha o trabalho, as relações e a própria percepção de bem-estar.

Durante a perimenopausa e a menopausa, ela pode vir isoladamente ou associada a outros sintomas que formam o chamado “combo” do climatério: insônia, irritabilidade, ansiedade, dificuldades de concentração (a famosa névoa mental, ou brain fog), dores no corpo e queda de libido.

Por isso, quando uma mulher se sente constantemente esgotada, sem energia para realizar tarefas básicas do dia a dia, é hora de investigar. Fadiga não é exagero, é um sinal real de desequilíbrio que precisa ser acolhido e tratado.

Quem está mais vulnerável à fadiga durante a perimenopausa e a menopausa?

O estudo que destacamos neste texto não é o único a mostrar que alguns grupos de mulheres enfrentam maior risco de fadiga intensa nessa fase. Além dos sangramentos, entre os fatores que aumentam a vulnerabilidade estão:

  • Distúrbios do sono
  • Histórico de ansiedade, depressão ou estresse crônico
  • Menopausa precoce (natural ou induzida por tratamentos médicos)
  • Obesidade ou índice de massa corporal elevado
  • Condições ginecológicas prévias, como endometriose e dor pélvica crônica
  • Experiências de discriminação ou sobrecarga mental crônica
  • Menor escolaridade

Quanto mais fatores presentes, maior o risco de que a fadiga se torne persistente e limitante.

Diagnóstico e cuidado: como abordar a fadiga com seriedade

O primeiro passo para lidar com a fadiga é levá-la a sério. A avaliação médica deve ser holística, ou seja, considerar o corpo, os sintomas, o histórico emocional e o estilo de vida da mulher.

Mana, é importante realizar exames para descartar outras causas que também provocam cansaço, como hipotireoidismo, anemia, deficiência de vitamina B12 ou doenças crônicas. Mas o foco precisa ser ampliar o olhar e investigar o que mais está acontecendo na vida dessa mulher.

Dá para recuperar a energia?

Sim. E a boa notícia é que, na maioria dos casos, isso não depende de medicamentos agressivos ou soluções mágicas. O caminho passa por mudanças consistentes e personalizadas.

A ciência mostra que algumas estratégias funcionam bem:

  • Alimentação rica em ferro e nutrientes que ajudam no metabolismo energético; ou mesmo a suplementação com ferro
  • Atividade física leve e regular, como caminhadas, ioga ou dança
  • Terapias de suporte emocional e escuta qualificada
  • Ajustes na qualidade do sono e gerenciamento do estresse

A terapia hormonal não é indicada diretamente para tratar fadiga, mas pode ser considerada se houver outros sintomas vasomotores associados, como fogachos e suores noturnos.

Além disso, aqui na Oest oferecemos um portfólio complementar para o cuidado personalizado da menopausa.

Saiba mais sobre seu corpo e entenda seus sintomas

A fadiga pode parecer um “peso invisível”, mas ela carrega um recado importante: o corpo precisa de atenção. A informação é o primeiro passo para transformar essa experiência.

Por isso, estamos aqui para te ajudar a identificar o que o seu corpo está dizendo. Com ciência, acolhimento e respeito à sua história.

Quer entender melhor seus sintomas e descobrir como cuidar de forma personalizada? Reunimos os 40+ sintomas mais comuns e incomuns dessa jornada em um manual de sobrevivência. Acesse o link para receber seu guia completo: Os 40+ sintomas das mulheres 40+

Referências:

Harlow SD, Gold EB, Hood MM, Mukwege AA, Randolph JF, Greendale GA. Abnormal uterine bleeding is associated with fatigue during the menopause transition. Menopause. Published online March 11, 2025. doi:10.1097/GME.0000000000002525

Aras SG, Grant AD, Konhilas JP. Clustering of > 145,000 symptom logs reveals distinct pre, peri, and menopausal phenotypes. Sci Rep. 2025;15(1):640. Published 2025 Jan 3. doi:10.1038/s41598-024-84208-3

Wu H, Gao D, Duan X, et al. Construction and validation of a nomogram for predicting fatigue in climacteric women. Menopause. 2025;32(3):266-274. doi:10.1097/GME.0000000000002493

Taylor-Swanson L, Wong AE, Pincus D, et al. The dynamics of stress and fatigue across menopause: attractors, coupling, and resilience. Menopause. 2018;25(4):380-390. doi:10.1097/GME.0000000000001025

Carter SJ, Blechschmid TH, Long EB, et al. Pulmonary V̇O2 on-kinetics and walking net V̇O2 associate with fatigue and mood disturbance in postmenopausal women. Exp Gerontol. 2025;205:112764. doi:10.1016/j.exger.2025.112764

Revisado por Dr. Ivaldo Silva