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Sabe aquela sensação de que o calor vem de dentro e toma conta do corpo inteiro, sem aviso, como se alguém tivesse ligado um forno no seu peito? Pois é: se você está passando por isso, pode estar enfrentando os temidos fogachos (calorões). E não, não é exagero, frescura ou coisa da sua cabeça. É fisiologia feminina.
Os fogachos são os sintomas mais comuns da transição da menopausa e afetam cerca de 70 a 80% das mulheres. São tão frequentes que, muitas vezes, são o primeiro sinal de que algo está mudando.
Mas só porque são comuns, não significa que devam ser ignorados! No conteúdo de hoje, vamos explicar por que eles acontecem, como impactam o dia a dia e, principalmente, o que você pode fazer para lidar com eles com mais leveza, informação e acolhimento.
Um calor que vem do nada: o que é esse tal de fogacho?
Fogacho é uma onda súbita de calor que geralmente começa no rosto, pescoço ou peito, se espalha rapidamente pelo corpo e pode vir acompanhada de suor, rubor facial, palpitações, calafrios ou até uma leve tontura. Parece que o corpo decidiu fazer uma sauna… no meio de uma reunião.
Cada episódio pode durar de 1 a 5 minutos, mas o desconforto pode se prolongar por horas, dependendo da frequência. E sim: eles acontecem durante o dia, mas também podem aparecer à noite, daí denominados como os famosos “suores noturnos”, que viram vilões do sono.
Os fogachos são sintomas vasomotores, ou seja, causados por alterações nos mecanismos que regulam a temperatura corporal e estão diretamente relacionados às mudanças hormonais da menopausa.
Mas por que isso acontece?
A principal causa é o estrogênio. Quando os níveis desse hormônio começam a flutuar como acontece na transição para a menopausa (denominado como perimenopausa) até diminuírem consideravelmente na menopausa, o centro termorregulador (nosso termostato – controle de temperatura) do cérebro (o hipotálamo) fica mais sensível e desregulado.
É como se o seu termostato interno perdesse a noção de temperatura. O corpo interpreta variações normais como se fossem um superaquecimento e dispara uma resposta de resfriamento: suor, vasodilatação, calafrios.
Além disso, alguns fatores podem piorar ou desencadear os fogachos, como:
- Estresse
- Cafeína e álcool
- Tabagismo
- Excesso de roupas ou ambientes muito quentes
- Sedentarismo
Dormir suada, acordar exausta: os impactos dos fogachos
Imagine acordar no meio da noite com a roupa molhada de suor. Ou mesmo acordar devido ondas de calor durante toda a noite. Ou passar o dia se abanando, trocando de camiseta, se sentindo desconfortável no próprio corpo.
Os fogachos não afetam apenas a temperatura, eles mexem com o sono, o humor, a autoestima e os relacionamentos. Podem causar ansiedade, cansaço extremo, irritabilidade e até isolamento social.
A mulher que está vivendo isso precisa de acolhimento, não de julgamento. E, principalmente, de informação confiável para saber como agir.
Existe tratamento para fogacho?
Sim! E mais do que isso: há várias formas de aliviar os sintomas! O importante é encontrar aquela que faz sentido para você, com orientação profissional.
As principais opções de tratamento para fogacho são:
- Terapia hormonal: recomendada para mulheres que não têm contraindicações e que apresentam sintomas moderados a graves.
- Alternativas não hormonais: como antidepressivos em baixa dose (paroxetina, venlafaxina), gabapentina e clonidina.
- Fitoterápicos: cada vez mais utilizados como tratamento complementar para aliviar sintomas da menopausa. Podem ser aliados importantes no cuidado.
- Antagonistas do receptor de neurocinina-3 (NK3R). Novas medicações para fogachos (ondas de calor) que agem nos neurônios KNDy . Esses medicamentos atuam diretamente na via dos neurônios KNDy (Kisspeptina–Neurocinina B–Dinorfina), que regulam a temperatura corporal. Liberados pelo FDA e aguardando liberação pela ANVISA para o Brasil.
- Mudanças no estilo de vida: fundamentais para a regulação geral do organismo e o bem-estar emocional.
Mas não para por aí! Há também novas terapias chegando ao mercado, como os antagonistas de neurocinina, mas esse será o tema de um próximo conteúdo exclusivo.
5 dicas práticas para aliviar o calorão do fogacho no dia a dia
Além de tratamentos médicos, pequenas mudanças no cotidiano podem fazer grande diferença. Abaixo, listamos 5 dicas super práticas:
- Use roupas leves (por exemplo algodão) e respiráveis, de preferência em camadas, para facilitar ajustes ao longo do dia.
- Mantenha o ambiente fresco, com ventiladores, janelas abertas ou climatizadores. A ideia é que você consiga trocar a temperatura do seu corpo rapidamente, em um momento em que o fogacho se aproxima.
- Evite alimentos e bebidas que provocam calor, como álcool, cafeína e comidas picantes. Elas aumentam naturalmente a temperatura do corpo e podem exacerbar, ainda mais, o fogacho.
- Mexa-se! Exercícios físicos regulares ajudam a estabilizar a temperatura e o humor. Além disso, é um ótimo momento para suar de verdade e ainda, fazendo bem para seu corpo e mente!
- Pratique técnicas de relaxamento, como respiração profunda, meditação ou mindfulness.
Não é mágica, mas é eficaz. É uma forma de retomar o controle sobre o próprio corpo.
Spoiler do bem: mesmo que demore para passar você tem várias dicas para continuar incrível!
Sim, os fogachos existem e mesmo que eles demorem a ir embora, há muitas formas de continuar incrível no meio do processo.
Cuidar de si, entender o que está acontecendo, buscar apoio e informação de qualidade são atitudes que fortalecem e que fazem você se reconectar com sua potência, todos os dias.
A menopausa pode ser desafiadora, mas também é uma oportunidade de autoconhecimento, liberdade e recomeço. Com ciência, acolhimento e escolhas conscientes, você atravessa essa fase com mais leveza.
Quer entender mais sobre como lidar com os sintomas da menopausa sem tabu e com informação confiável? Acesse o blog da Oest!
Referências:
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Revisado por Dr. Ivaldo Silva