Menopausa engorda? O que está por trás da mudança no corpo feminino nessa fase

Entenda as causas, o impacto hormonal e o que fazer para cuidar do corpo sem culpa.

“Meu corpo parece não responder mais como antes.”
“Engordei sem mudar nada na alimentação.”
“Estou me sentindo desanimada, cansada, e nada serve como antes.”

Esses relatos se tornaram comuns entre mulheres que atravessam a menopausa. E a pergunta que ecoa com mais frequência do que gostaríamos é: afinal, menopausa engorda? A resposta não é simples, nem óbvia. Mas ela começa com empatia.

A menopausa marca uma transição biológica profunda, que impacta não só o sistema reprodutivo, mas também o metabolismo, o humor, a energia e, sim, a forma como o corpo armazena gordura. O que antes funcionava (dieta, rotina, treino) pode já não fazer mais efeito. Isso não é preguiça, fraqueza ou falta de disciplina. É fisiologia.

Vamos entender o que acontece e, principalmente, o que pode ser feito. Porque a culpa, aqui, não entra.

Por que o corpo muda tanto na menopausa?

A grande protagonista dessa história é a queda dos níveis de estradiol, o principal estrogênio do corpo feminino. Quando ele despenca, todo o equilíbrio metabólico é afetado. 

Essa redução afeta diretamente:

  • A distribuição de gordura (que passa a se concentrar mais na barriga),
  • A sensibilidade à insulina (favorecendo o acúmulo de gordura),
  • E a massa muscular (com perda progressiva, o que reduz o gasto calórico do corpo mesmo em repouso).

Não é só o “envelhecimento”. É uma mudança de eixo hormonal que exige uma nova lógica de cuidado. E quando os vilões da menopausa, como insônia, irritabilidade, cansaço crônico, entram em cena, eles também contribuem indiretamente para o ganho de peso, tornando tudo ainda mais desafiador.

Ganhar peso é inevitável na menopausa?

Não é inevitável, mas é mais fácil, sim.

O ganho de peso na menopausa é uma tendência e é multifatorial: além das mudanças hormonais, entram em cena o estilo de vida, o sono, o estresse, o histórico familiar e até o ambiente.

A grande virada de chave é entender que o que funcionava aos 30 pode não funcionar mais aos 50, e isso não é um fracasso. A adaptação é a palavra de ordem.

E mais importante: cada mulher é única. Por isso, comparar-se a outras mulheres (ou à sua versão de 10 anos atrás) só gera mais frustração. Aqui, o caminho é olhar para si com respeito e informação.

O impacto do estilo de vida: alimentação, sono, estresse e movimento

Estudos mostram que, na menopausa, fatores como sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, estresse crônico e noites mal dormidas potencializam o acúmulo de gordura abdominal e a resistência à insulina.

Além disso, a queda da massa magra (muscular) desacelera o metabolismo, fazendo com que o corpo gaste menos energia mesmo parado.

A boa notícia? Mudar o estilo de vida funciona. Mesmo pequenas perdas de peso (entre 1 a 2,5 kg) já mostram benefícios importantes na saúde cardiovascular, glicêmica e emocional. Mas não estamos falando de dietas malucas, estamos falando de mudanças reais e sustentáveis. 

Abaixo, compartilhamos algumas súper dicas!

5 dicas práticas e cientificamente comprovadas para manter o peso na menopausa:

  1. Priorize proteína em todas as refeições
    Inclua fontes de proteína magra (ovos, frango, peixes, tofu, leguminosas ou suplementos) ao longo do dia. Isso aumenta a saciedade, reduz os picos de glicose e ajuda na manutenção da massa muscular. Trocar um pão de queijo por uma barrinha proteica pode parecer pequeno, mas faz diferença.
  2. Organize a semana:
    Planeje suas compras com foco em snacks práticos e nutritivos: iogurte natural, oleaginosas sem sal, frutas com pasta de amendoim e ovos cozidos. Quando a fome “louca” bater, você terá opções ao alcance da mão, e isso evita recaídas impulsivas.
  3. Mexa-se, mesmo que por 10 minutos
    Você não precisa virar atleta, mas precisa movimentar o corpo. Comece com o que dá: subir escadas, dançar na sala, andar no quarteirão. A ciência recomenda 150 a 300 minutos semanais de exercício aeróbico + treino de força 2x por semana, mas a consistência importa mais do que a perfeição.
  4. Respire de verdade
    A respiração profunda ativa o sistema nervoso parassimpático, que reduz o cortisol (o hormônio do estresse, ligado ao acúmulo de gordura visceral). Tente a “respiração quadrada”: respire em 4 segundos, segure por 4, solte em 4. Faça isso 3x ao dia e você vai ver que é algo simples, gratuito e poderoso.
  5. Comemore pequenos avanços (e reduza a culpa)
    Você bebeu mais água hoje? Dormiu melhor ontem? Caminhou 10 minutos? Isso é progresso. A autocrítica constante só atrasa.

    E sobre o álcool? Sim, ele conta. Mas sem terrorismo, você pode optar por uma taça de espumante ao invés de duas de vinho tinto, ou uma gin tônica diet no lugar da caipirinha. A chave é equilíbrio, não punição.

A terapia hormonal ajuda a controlar o peso?

A terapia hormonal da menopausa (TH) não é uma solução direta para emagrecer, mas pode sim influenciar positivamente o processo. Ao tratar sintomas como insônia, fadiga, perda de massa muscular e depressão, ela melhora indiretamente a capacidade da mulher de cuidar do corpo e retomar sua vitalidade.

Além disso, a TH pode ajudar na sensibilidade à insulina e na redução da gordura visceral, em algumas mulheres. Mas o uso deve ser sempre individualizado, com orientação médica. 

Nem toda mulher deve ou pode usar.

E os medicamentos para emagrecer: funcionam para mulheres na menopausa?

Sim, em alguns casos, mas com ressalvas.

Fármacos como orlistate, naltrexona-bupropiona, liraglutida e a famosa semaglutida (Ozempic) têm sido usados com eficácia em mulheres com obesidade ou sobrepeso e comorbidades.

Um estudo recente (Hurtado et al., 2024) avaliou mulheres pós-menopáusicas usando semaglutida e mostrou que aquelas em uso de terapia hormonal da menopausa (TH) perderam mais peso do que aquelas que não usavam, mantendo essa vantagem por até 12 meses. Além disso, ambas as populações melhoraram seu perfil cardíaco e metabólico.

Mas atenção: esses medicamentos têm efeitos colaterais (náuseas, constipação, risco de perda de massa magra) e não substituem mudanças no estilo de vida. O uso deve ser monitorado por profissionais.

Seu corpo mudou. Agora é hora de mudar o cuidado.

Seu corpo não está te traindo, ele só está se transformando. E você está sentindo, vivendo e tentando entender o que está acontecendo.

Cuidar do corpo na menopausa exige uma nova lente, uma nova linguagem e, muitas vezes, um novo plano de ação

E que tal começar com um plano de caminhada por 12 semanas, apenas? Isso mesmo! Um estudo da Scientific Reports mostrou que apenas 12 semanas de caminhada moderada ajudaram muito na redução do peso, no índice de massa corporal (IMC) e na porcentagem de gordura corporal das mulheres na menopausa! Poxa, muito incrível, não? 

Você não está sozinha e não está enlouquecendo. Seu corpo está mudando, e ele precisa de um novo tipo de cuidado. A Oest não promete fórmulas mágicas, mas entrega soluções pensadas para mulheres reais, com produtos como Oest Forte, que apoia a manutenção da massa muscular, e Oest Única, que busca aliviar sintomas como insônia e irritabilidade, ambos aliados do seu bem-estar!

Quer continuar aprendendo sobre o assunto? Preparamos um conteúdo especial com a Dra. Patricia sobre ganho de peso na menopausa. Assista ao vídeo completo clicando aqui.

Referências:

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Hurtado MD, Tama E, Fansa S, et al. Weight loss response to semaglutide in postmenopausal women with and without hormone therapy use. Menopause. 2024;31(4):266-274. doi:10.1097/GME.0000000000002310