Se você tem mais de 40 anos e trabalha, as chances de que a perimenopausa e menopausa esteja afetando a sua rotina profissional são maiores do que qualquer um no seu escritório imagina.
Aquele esgotamento no meio da tarde que parece não ter motivo. A irritabilidade numa reunião que, em outro dia, você teria encarado numa boa. A dificuldade de concentração que te faz reler o mesmo e-mail três vezes. Esses sintomas não ficam em casa quando você sai pela manhã. Eles vão com você.
O problema é que, na maioria das empresas, quase ninguém está prestando atenção nisso.
A menopausa não tira folga no horário comercial
A perimenopausa e a menopausa chegam num momento específico da vida, e também da carreira. Muitas mulheres estão, justamente nessa fase, no pico da experiência profissional: liderando times, tomando decisões, construindo legado. Ao mesmo tempo, estão lidando com sintomas que a medicina convencional ainda minimiza e que o ambiente de trabalho ainda não sabe como acolher.
Segundo um estudo da Mayo Clinic, publicado em 2023, a redução de produtividade relacionada à menopausa gera um prejuízo de US$1,8 bilhão por ano só nos Estados Unidos. A pesquisa, feita com mais de 4.000 participantes, mostrou que 13,4% das mulheres tiveram algum impacto profissional adverso por causa dos sintomas, e 10,8% faltaram ao trabalho.
No Brasil, a situação não é diferente. São 30 milhões de mulheres hoje na faixa etária do climatério e da menopausa, segundo o IBGE. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que mais da metade dos 4,1 milhões de benefícios por incapacidade temporária concedidos em 2025 foram para mulheres, e afastamentos ligados a sintomas da menopausa estão entre as causas que vêm chamando a atenção de especialistas.
O silêncio que custa caro
Quando uma mulher não encontra espaço para falar sobre o que está sentindo no trabalho, ela resolve sozinha. E resolver sozinha, sem informação e sem suporte, tem um custo, para ela e para a empresa.
Por que medir importa (e muito)
Dados mudam conversas. Quando um tema não tem número, ele fica no campo da percepção individual: “ah, deve ser estresse”, “isso é coisa da cabeça”. Quando o número aparece, ele vira argumento, e possível mudança.
Foi exatamente esse cenário que levou a Oest a criar o estudo-piloto que ganhou espaço na coluna de Mariana Kotscho, no UOL, assinada por Vanessa Kopersz.
Os resultados iniciais apresentam uma clara tendência:
80% relataram esgotamento físico e mental, sendo 34% classificado como severo ou muito severo.
75% sentiram ansiedade e irritabilidade com impacto direto na concentração e no desempenho.
70% têm problemas de sono.
61% relataram estado de ânimo depressivo.
53% disseram que os sintomas afetam o dia a dia dentro do escritório.
60% relataram consequências também fora dele.
Oito em cada dez mulheres com esgotamento físico e mental. Esse é o tipo de dado que muda a conversa dentro de qualquer empresa.
O Brasil está se movendo
No campo das políticas públicas, as coisas começam a mudar. São Paulo aprovou, em dezembro de 2024, uma lei estadual de atenção integral à saúde das mulheres no climatério e na menopausa. Minas Gerais sancionou, em abril de 2025, o Dia Estadual de Conscientização sobre o tema. No Senado, o PL 3.933/2023 propõe uma Política Nacional de Atenção Integral à Mulher no Climatério. Na Câmara, o PL 4504/24 avança na mesma direção.
São movimentos importantes, mas políticas públicas levam tempo e as mulheres estão nos escritórios agora, trabalhando e produzindo.
A pesquisa segue, e a sua empresa pode fazer parte
O piloto foi só o começo. Nossa pesquisa científica, quantitativa e qualitativa, está em expansão para mapear a menopausa em organizações de todo o Brasil. Quanto mais empresas entrarem, mais completo fica esse retrato.
Se a empresa que você trabalha quiser fazer parte desse mapeamento histórico, de cunho científico, será muito bem-vinda!
É só mandar um oi pra oi@somosoest.com.br 💛
Referências:
Faubion SS, et al. Impact of Menopause Symptoms on Women in the Workplace. Mayo Clinic Proceedings. 2023.
IBGE. Dados sobre mulheres na faixa etária do climatério e menopausa no Brasil. Via Senado Federal.
Kopersz V. Melinda Gates investe US$ 215 milhões em políticas para mulheres na menopausa. Coluna Mariana Kotscho, UOL.